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No meu estúdio em Londres, Inglaterra - 2003/2006
In my studio in London, England - 2003/2006
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NOVOS TRABALHOS - SÉRIE DE 2010
Um novo grupo de pinturas vem surgindo de pesquisas que iniciei em 2008, com o trabalho "The Best Is Yet To Come (Stacey Kent)". Na verdade, essas pesquisas vêm sendo realizadas há bastante tempo, quando comecei a desenvolver um trabalho específico na maneira como trato e abordo a "pintura".
É das ruas que tiro as idéias para os trabalhos, observando muros e paredes que sofrem a intervenção de pessoas e/ou artistas através de grafites, pôsteres, estênceis, pichação, etc. Venho acrescentando cada vez mais aos meus trabalhos, elementos conectados à arte urbana, com referências contextuais e estéticas dos movimentos ligados à dita contra-cultura, como o grafitti, que vem ganhando cada vez mais espaço na mídia e em galerias e museus, espaços aonde há bem pouco tempo não se teria imaginado essa interação.
Me interesso pelo resultado matérico e visual, através do acúmulo de diversos materiais, e pela linha de tempo que resulta do posterior processo de retirada, lixamento, raspagem e sobreposição de novos materiais, códigos, letras e símbolos. Essas ações alteram o formato dos materiais agregados, obliterando sua função original. Utilizo tintas acrílica, látex, esmalte, pva e spray, além de jornais e revistas, papéis coloridos de toda sorte, fotografias, signos, códigos, escrita, poemas, frases soltas, lettering, desenhos, bordados e toda forma de códigos visuais disponíveis, sem ordem ou importância definidas.
O uso da ação "destrutiva" como força criativa, é, ao mesmo tempo, provocativa e paradoxal, e tão importante quanto todo o processo que a antecede. Todo a retirada e a sobreposição do material colocado anteriormente, é tão transformador quanto o processo inicial. As várias camadas, então descortinadas, deixam ver as entranhas do que foi um dia algo com propósito, sem contudo revelar seus múltiplos sentidos e/ou a ligação entre eles.
Essas pesquisas configuram um campo de investigação fascinante, e trazem uma reflexão contemporânea da relação do homem com o ambiente que o cerca, da quantidade exagerada de informação que recebemos diariamente, da poluição visual que sofremos, da rapidez com que as coisas mudam na nossa sociedade, dos novos padrões de comportamento e moda que surgem de forma continuada, etc.
Essa é a essência do que venho pesquisando há algum tempo: relação presença/ausência, material/imaterial - um verdadeiro palimpsesto -, em que a revelação da matéria (através da superfície encrostada), e do tempo (da sobreposição de diversos materiais e códigos de escrita e imagem, permeando-se através de uma infinidade de camadas), ocorrem simultaneamente.
Roberto Bernardo
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2010 SERIES - NEW WORKS
A new group of paintings has been emerging from researches that have begun in 2008 with the work "The Best Is Yet To Come (Stacey Kent)", although these researches have actually been carried out for a long time, when I started developing a specific way of approaching "painting", a very long time ago.
It is from the streets that I bring in the ideas for my paintings, simply looking at dilapidated buildings or sites and walls that have been suffering intervention by individuals and/or artists via graffiti, posters, stencils, and the like. I've been constantly adding urban art elements to my work, with contextual and aesthetic references from counterculture movements such as graffiti, which is nowadays gaining increasing attention in the media, as well as art galleries and museums, places that not too long ago we couldn't imagine this kind of interaction.
Besides, I am really interested in the visual and textural result from the accumulation of various kinds of materials, the physical process of sanding down, cutting, dampening and scrubbing away, as well as the timeline that emerges. These actions dematerialize the surface and add an element of depth to a two-dimensional work, altering its regular shape and obliterating its original and primary function. I make use of a vast array of materials such as acrylic, spray and industrial paint, enamel, collages made of newspapers, magazines, books, photographs, apart from signs, codes, numbers, lettering, and all sorts of available visual codes, with no defined order or importance.
What I call "destructive action" as a creative force (tearing up the collages and scrubbing the paint from the canvas), is something simultaneously provocative and paradoxical, and is also as much important as the initial procedures. The layers that show up after the "destructive action", allow us to see the guts of what was something with meaning, but not revealing their "history" or the connection between them.
These researches are fascinating and they bring up a contemporary reflection on our relationship with the environment that surrounds us, on the huge amount of information we receive daily, how quickly things change in our society, the new patterns of behavior, fashion, slangs, etc., that arise continuously.
That is the essence of my research: the presence and absence, the material and the immaterial - a palimpsest, where the disclosure of matter (through the caked surface), and time (via the multilayering of materials), occur simultaneously.
Roberto Bernardo
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